Oito anos de corrida de rua

O dia cinco de agosto marca o meu aniversário no mundo das corridas de rua. Foi lá em 2012 que participei da minha primeira corrida.

A minha estreia foi na Corrida e Caminhada da Esperança, com largada no Centro Cívico em Curitiba. Na ocasião tinha cerca de dez meses de caminhadas quando decidi participar da minha primeira corrida.

O momento da largada mais parecia um estouro de boiada, com os participantes saindo correndo de forma alucinada. Lembro que fiquei muito assustado com aquilo e a minha maior preocupação era não ser atropelado por algum daqueles malucos.

Cheguei na marca do primeiro quilômetro em um tempo de 8min 25 seg. Aumentei um pouco o ritmo na sequencia até encontrar um longo trecho de subida. Preferi caminhar do que forçar o ritmo e ficar cansado.

Sendo assim percorri o terceiro quilômetro em nove minutos. Como caminhei consegui descansar e recuperar as minhas energias. Segui acelerando e quando entrei na reta final olhei para o cronômetro no portal da chegada e percebi a possibilidade de completar os 5 km em 40 minutos.

Procurei espaço para poder ultrapassar e cruzei a linha de chegada com 39 min 51 seg. Por ser a minha primeira corrida cheguei exausto. Valeu a pena pela oportunidade de ter participado de uma corrida de rua, ter enfrentado os meus limites e, é claro, ter conquistado a primeira medalha.

Sendo assim, o primeiro domingo de agosto passou a ser o dia da comemoração do meu aniversário no emocionante e fascinante mundo das corridas de rua.

2012 – Corrida da Esperança

2013 – Corrida da Esperança 5 km

2014 – Circuito das Estações Inverno 5 km

2015 – Circuito das Estações Primavera 5 km

2016 – Barigui Night Run 5 km

2017 – Meia Maratona Uninter – 21 km

2018 – Meia Maratona Uninter – 21 km

2019 – Meia Maratona Uninter – 21 km

2020 – Run The World Etapa Melbourne – 3 km

 

Nestes oito anos enfrentei muitos desafios e superei os meus limites. Sempre procurei compartilhar a minha energia positiva com os corredores que encontrei pelo caminho.

Formei inúmeras amizades e passei a ser considerado inspirador para muitos corredores.

 

 

#TBT JULHO 2017

O mês de julho de 2017 foi marcado por três corridas.

02/07 – CIRCUITO DAS ESTAÇÕES INVERNO

Faltando vinte minutos para a largada a temperatura era de 9ºC e assim deveria permanecer durante toda a prova.  Coloquei os meu fones, conferi se os tênis estavam bem amarrados, fiz o meu alongamento, o aquecimento e iniciei a minha concentração. Neste momento fecho os olhos, me desligo totalmente do que está acontecendo em volta e respiro com calma.

Ao longo do percurso mantive um ritmo de corrida confortável, mas trotei e caminhei sempre que achei necessário.

Em nenhum instante me preocupei com o tempo decorrido. Completei a prova em 1 hora, 17 minutos e 19 segundos. O mais importante foi ter terminado bem e conquistado mais uma medalha para a coleção.

 

22/07 – TRACK & FIELD PATIO BATEL

A segunda corrida da Track & Field em Curitiba em 2017 teve como local de largada o Shopping Pátio Batel. Fiz uma largada bem tranquila com bastante cuidado para evitar me envolver em alguma confusão.

Escolhi um ritmo tranquilo e segui em frente sem me preocupar com o tempo. Afinal de contas as características do percurso não eram favoráveis para bater o meu recorde dos 5 km.

Em um determinado momento percebi na minha frente uma garota que estava falando no celular. Apesar de estar num ritmo lento ela estava se movimentado para o seu lado esquerdo e portanto saindo da área limitada para os corredores.

Neste local estávamos dividindo o espaço com os carros. Acelerei um pouco a minha passada e fiquei ao lado dela. Coloquei a mão no seu ombro esquerdo e puxei na minha direção. Ainda bem que foi só um susto.

Terminei a prova muito bem fisicamente e conquistei mais uma medalha para a minha coleção.

 

28/07 – 2ª CORRIDA SANTOS DUMONT

Foi uma corrida noturna promovida pelo CINDACTA II (Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo) em homenagem a Alberto Santos Dumont (20/07/1873 – 23/07/1932).

Apenas os corredores que estavam devidamente inscritos poderiam acessar o local de largada, a pista de pouso e decolagem do Aeroporto do Bacacheri. O dia e o horário de realização da prova foram completamente atípicos. Uma sexta-feira às dez horas da noite, enquanto as corridas noturnas são normalmente realizadas nos sábados por volta das oito horas.

A banda U2 Cover CWB animava os presentes cantando sucessos da banda irlandesa enquanto não chegava o momento da largada. Em um determinado local as pessoas podiam tirar fotos ao lado de um sósia do Santos Dumont, o homenageado da noite.

Também estiveram presentes os corredores Marílson Gomes dos Santos (duas vitórias na Maratona de Nova York três vitórias na Corrida de São Silvestre) e Juliana Gomes dos Santos (campeã pan-americana dos 1500 m e dos 5000 metros). Foi um grande prazer conhecê-los e receber um pouco da sua energia positiva.

Por se tratar de uma corrida noturna com cerca de cinco mil participantes procurei uma boa posição para largar com cuidado. No ano passado corri a prova de 10 km e em 2017 escolhi os 5 km.

Sabia que deveria aproveitar o primeiro quilômetro pois a maior parte do percurso usaria a pista do aeroporto. A iluminação se limitava às lanternas dos corredores que estavam na minha frente.

Fui controlando a distância que faltava para o término da prova. Ao passar pela marca dos 4 km passei a acelerar as minhas passadas e fiz algumas ultrapassagens.

O final do percurso foi na pista de pouso do Aeroporto do Bacacheri. Quando fiz a última curva me preparei para a minha arrancada, olhei para o pórtico da chegada e escolhi o caminho que iria percorrer.

Apesar de ter tido alguns problemas no último quilômetro terminei a corrida bem fisicamente. Para a minha grande surpresa o meu tempo de 34:35 ficou bem próximo do meu recorde pessoal dos 5 km.

#TBT JULHO/2018

O mês foi marcado por uma caminhada e duas corridas.

01 – 4ª CAMINHADA PELA SAÚDE

O primeiro domingo do mês de julho não foi marcado por uma corrida mas sim pela minha participação na 4ª Caminhada pela Saúde promovida pelo Hospital das Nações.

Na estrutura montada no estacionamento do hospital os participantes poderiam pegar a sua camiseta, medir a glicemia, verificar a pressão arterial e calcular o IMC (Índice Massa Corporal). Também haviam frutas e água para os participantes.

Nas ruas por onde passamos pudemos notar os moradores na frente de suas casas acenando e mandando a sua energia positiva. Com certeza foi o momento mais emocionante da caminhada.

Percorremos em pouco mais de uma hora a distância de três quilômetros.  Para mim foi uma situação completamente diferente pois neste tempo estou acostumado a percorrer cerca de nove quilômetros correndo.

Sem dúvida participar desta caminhada foi muito gratificante, pois durante a caminhada vi pessoas que estavam ali iniciando uma nova etapa de suas vidas depois de decidir parar de fumar e outras que estavam se recuperando de uma cirurgia.

08 – TRACK & FIELD PATIO BATEL

Cheguei cedo na arena do evento e fui logo retirar o meu chip. A estrutura estava montada no estacionamento do shopping. Havia um espaço exclusivo para os corredores fazerem o seu aquecimento.

Para esta prova o meu principal objetivo era completar o percurso em trinta e sete minutos. Desde o início procurei colocar em prática as dicas que recebi dos meus amigos.

Consegui manter um ritmo confortável durante dois quilômetros. Reduzi um pouco o ritmo das minhas passadas no início do terceiro quilômetro. Em seguida retomei o meu ritmo inicial e fui controlando a distância a ser percorrida.

Ao iniciar o último quilômetro percebi que teria condições de terminar a prova antes dos trinta e sete minutos.

De acordo com a cronometragem da prova completei o percurso de cinco quilômetros em 35:48. Poderia ter conseguido um tempo melhor mas fiquei muito contente por ter concluído em um tempo abaixo daquele que havia estabelecido.

 

15 – CIRCUITO DAS ESTAÇÕES INVERNO

A grande novidade desta prova foi o novo percurso. Particularmente fiquei muito contente com a mudança pois sempre critiquei a arena dos eventos realizados no Jockey Clube do Paraná.

A arena foi montada na Praça Nossa Senhora de Salete. Os percursos de 5 e de 10 km eram conhecidos da maioria dos corredores. O local tem para mim dois momentos significativos. O primeiros deles foi em agosto de 2012 quando fiz a minha estreia no mundo das corridas.

Nos anos seguintes participei de várias provas neste percurso mas sem dúvida o momento mais emocionante foi em novembro de 2014. Na ocasião completei os cinco quilômetros em 34 minutos e 10 segundos, tempo que é o meu recorde.

Larguei com tranquilidade mas procurando espaço para desenvolver um bom ritmo. Na metade do terceiro quilômetro enfrentei um trecho de subida e reduzi o ritmo. Um pouco antes de chegar em frente ao Museu Oscar Niemeyer comecei a acelerar o ritmo das passadas. Não tinha condições de bater o meu recorde mas poderia concluir com um tempo aproximado de 36 minutos.

Cruzei a linha de chegada com o tempo de 36 minutos e 15 segundos. Mas o melhor momento foi quando após pegar a minha medalha alguém me abordou e disse era leitor do meu blog e contou que depois de ler a reportagem sobre a minha participação na Meia Maratona de Curitiba procurou saber quem eu era. Foi um grande prazer conhecer quem me acompanha nas redes sociais e no blog www.normanbitner.blog.br.

 

 

 

#TBT JULHO 2019

07 – CIRCUITO DAS ESTAÇÕES INVERNO

Quando acordei às cinco horas a primeira coisa que fiz foi conferir a temperatura: 0ºC. Esta seria a temperatura que eu iria enfrentar durante a corrida.

Alguns minutos antes da largada verifiquei a temperatura: -1ªC. A minha estratégia era fazer uma corrida conservadora sem forçar o meu ritmo.

Como a manga da minha camisa cobria o meu relógio não conseguia conferir o meu ritmo e o tempo decorrido. Puxar a manga a todo instante iria tirar a minha concentração. Me senti aquecido próximo do km 6.

Segui em um ritmo lento mas seguro e caminhei nas subidas. Comecei a acelerar quando faltavam cerca de quinhentos metros para o final da prova.

Na chegada travei o meu cronômetro mas não prestei atenção no tempo final. Foi uma corrida muito sofrida em que me mantive bastante concentrado para não cometer nenhum erro.

Ao chegar em casa verifiquei no meu Garmin que completei o percurso em 1 hora, 21 minutos, 07 segundos, algo que me deixou muito surpreso.

 

20 – 80’s NIGHT RUN

Foi uma corrida noturna promovida pela Global Vita tendo como tema os anos 80.

Apesar de não gostar de corridas noturnas pelas suas características procuro participar de pelo menos uma por ano. Cheguei ao local do evento com uma antecedência cerca de uma hora em relação ao horário da largada.

Aproveitei para conversar com algumas pessoas. Faltando cerca de quinze minutos para a largada iniciei o meu ritual: alongamento, aquecimento, ajuste dos tênis e da lanterna de LED.

Sabendo das dificuldades que poderia enfrentar no percurso por causa da iluminação das ruas resolvi usar a minha lanterna. Assim consegui iluminar o meu caminho em torno de dois metros na frente.

Larguei com muito cuidado, demorei um pouco para encontrar o ajuste ideal da lanterna mas mantive um ritmo rápido e completei o primeiro quilômetro em em 6:04.

No km 3 reduzi o ritmo para enfrentar um subida. Depois fu me controlando até quando faltavam cerca de duzentos metros para o final. Pouco antes da última curva fui ofuscado pelo flash de um fotógrafo.

Por alguns segundos não consegui ver nada. Observei quem estava no meu caminho, tracei um linha a ser percorrida e acelerei. Estava tão rápido que quase atropelei uma fotógrafa que estava bem próxima da linha de chegada.

Desviei dela quando estava cerca de três metros. Fiquei muito preocupado depois, pois certamente ela deve ter se assustado.

Peguei a minha medalha, tomei água e caminhei um pouco para me recuperar do susto. Não pude conversar com a fotógrafa, pois ela estava na linha de chegada tirando fotos dos corredores.

Então procurei por alguém da equipe dela para explicar o que aconteceu e pedir desculpas pelo susto.

De acordo com o meu Garmin completei os 5 km em 37:27, o meu terceiro melhor tempo em corridas noturnas.

 

28 – A. YOSHII RUNING

A corrida patrocinada pela construtora A.YOSHII tem um significado muito especial para mim por causa do local de largada e chegada: a Praça da Espanha.

A praça fez parte do início da minha infância, pois morei a cerca de duas quadras dali. Portanto, a viagem no tempo é inevitável.

Sabendo das características do percurso de 5 km larguei com tranquilidade e fui controlando o meu ritmo até completar a distância de quatro quilômetros

A partir dali poderia acelerar o ritmo das minhas passadas, pois até o final teria somente descida.

De acordo com o meu Garmin completei o percurso em 37:27, o meu melhor tempo no ano para os 5 km.

 

#TBT JUNHO 2015

21/06 – CIRCUITO DAS ESTAÇÕES INVERNO

No sábado verifiquei qual seria a previsão do tempo. Para o horário da prova a temperatura era de 10ºC, condição climática que indicava que seria uma corrida difícil.

Por causa do frio resolvi sair em um ritmo lento e tomando cuidado para não me envolver em confusões. Aproveitei os trechos de descida para acelerar um pouco permaneci no mesmo ritmo por dois quilômetros.

Desde o início sabia que não teria condições de bater o meu recorde dos cinco quilômetros, mas poderia melhorar o meu tempo de 2015. Procurei os espaços vazios para realizar as ultrapassagens e acelerar rumo a linha de chegada.

Para a minha surpresa terminei o percurso em 35 min 15 seg. Antes da corrida a minha intenção era baixar de 36 minutos, que era o melhor este ano.

 

28/06 – STADIUM MARATHON

Esta é uma corrida temática nas distâncias de cinco e onze quilômetros com largada e chegada no Estádio Durival Britto e Silva pertencente ao Paraná Clube. A corrida conta com a passagem em frente dos estádios Joaquim Américo Guimarães (Atlético Paranaense) e Major Antonio Couto Pereira (Coritiba).

Por causa da temperatura de 8ºC me mantive com o agasalho até cerca de meia hora antes da largada. Fiz meu alongamento e depois fiquei aquecendo por alguns minutos.

A largada aconteceu dentro do estádio, percorremos cerca de 200 metros da pista até chegar a saída. Mantive um ritmo tranquilo sem forçar ultrapassagens pois sabia que tinha um longo trecho de subida pela frente.

Após passar pela Arena da Baixada iniciou o trecho de descida em que finalmente teria a chance de aumentar o meu ritmo. Logo adiante passei por um dos momentos mais emocionantes de todas as corridas de que participei. Quando passava ao lado de um cadeirante que era conduzido pelo seu pai ele me estendeu a mão como se estivesse me convidando para correr ao seu lado.

Depois de passar pela marca dos 3 KM passei a alternar o ritmo entre a corrida e o trote, com o intuito de guardar energias para o final da prova.

Ao entrar na reta de chegada percebi um cadeirante poucos metros na minha frente. Era aquele mesmo que tinha corrido ao lado dele. Naquele instante o meu objetivo era alcançá-lo para cruzarmos a linha de chegada juntos. Consegui, olhei para o pai e dei os parabéns.

Não cheguei a ver o meu tempo de conclusão da prova, o objetivo era o de baixar o melhor tempo do ano (35 min 15 seg) e se possível terminar a prova num tempo melhor que a do ano passado (35 min 39 seg).

Para a minha surpresa percorri o percurso no tempo de 34 min 41 seg, que passou a ser o melhor de 2015.

#TBT JUNHO 2017

Na manhã do dia quatro de junho de 2017 tive a oportunidade de participar de uma corrida diferente.  No Parque Barigui fui um dos voluntários da Corrida Pernas pra que te quero no Circuito Infantil de Corridas de Rua de Curitiba.

Participaram desta corrida crianças cadeirantes portadoras de necessidades especiais. Em um primeiro momento os voluntários se organizam para instalar a terceira roda nas cadeiras das crianças.

Cada equipe era formada por quatro ou cinco corredores voluntários que deveriam se revezar na condução do cadeirante ao longo do percurso de dois quilômetros. Pouco antes da largada recebemos algumas orientações sobre como deveríamos conduzir a criança bem como tivemos a oportunidade de conversar com o pais.

Fiz parte da equipe que tinha a responsabilidade de levar uma bela menina chamada Laura. A nossa maior preocupação era como ela se comportaria ao longo do percurso longe da sua mãe.

Para a nossa enorme surpresa a Laura se comportou muito bem e ficou animada durante todo o tempo. Pouco importava qual era o nosso ritmo, pois o que interessava era que a Laura se divertisse.

Conduzi a cadeira nos cerca de trezentos metros finais. Era muito fácil perceber o quanto ela estava contente. Ao cruzarmos a linha de chegada ela ficou ainda mais alegre ao ver os pais.

Enfim, participar desta corrida foi uma experiência incrível. Foi muito emocionante e gratificante conhecer esta pessoinha linda e especial chamada Laura.

#TBT JUNHO 2018

No mês de junho de 2018 tive a oportunidade de participar de três provas: BANCO DO BRASIL, 15 KM DE SANTA FELICIDADE e A. YOSHII.

03/06 – Circuito Banco do Brasil de Corrida

Instantes antes da largada tive a oportunidade de encontrar colegas do BB que iriam fazer a sua primeira corrida de 5 KM. Aproveitei a ocasião para conversar um pouco com eles e passar tranquilidade e muita energia positiva.

Apesar de conhecer as características do percurso sabia que seria difícil bater o meu recorde de 34:20. Talvez conseguisse terminar em um tempo próximo dos 37 minutos.

Por causa do frio tive dificuldades para manter a minha frequencia cardíaca no nível adequado. Escolhi um ritmo confortável e segui em frente sem nenhuma preocupação com o tempo. Acelerei um pouco as minhas passadas quando faltavam cerca de 500 metros para o final.

Cruzei a linha de chegada com o tempo de  37 minutos e alguns segundos. O mais importante foi ter terminado a prova bem fisicamente.

Depois de pegar a minha medalha realizei o teste de bioimpedância cujo resultado possibilita o cálculo de volume exato que há de água no organismo, sendo assim computadas com exatidão a quantidade de massa magra e gorda contida no corpo. No meu caso os resultados apresentados foram considerados normais.

Em seguida entrei na fila para ganhar uma camiseta autografada pelos jogadores de volei Gustavo Endres, André Heller e Emanuel Rego.

Alguns minutos depois fui acompanhar a entrega de troféus para os cinco primeiros colocados da categoria Funcionário BB. Enfim, foi muito gratificante ver colegas de trabalho participando da sua primeira corrida de rua. Sem dúvida é um importante vitória na luta com o sedentarismo.

 

10/06 – 15 KM de Santa Felicidade

A largada e a chegada aconteceram no Dom Antônio, um dos inúmeros restaurantes do tradicional bairro italiano de Curitiba.

Sabendo que enfrentaria muitas subidas ao longo do percurso desafiador escolhi a estratégia de dividir os quinze quilômetros em três partes de 5 km.

Procurei sempre ter alguém no meu campo visual para usar como referência e mantive um ritmo confortável.

Em determinado momento percebi alguns metros na minha frente duas corredoras que seguiam num ritmo bem lento. Em vez de simplesmente ultrapassar e seguir adiante preferi acompanhá-las por algum tempo. Foi então que uma delas contou que estava voltando de uma lesão no quadril. Foi muito bom conversar e trocar energia positiva com elas.

Como tinha decidido que usaria o percurso como treino não tinha um tempo definido para conclusão. Participar de uma corrida com uma distância entre 10 e 21 km foi uma experiência diferente.

 

24/06 – A. YOSHII

A corrida foi patrocinada pela A. YOSHII, uma construtora de Curitiba. Sabia que enfrentaria vários trechos de subida ao longo do percurso, pois já tive oportunidade de correr outras provas naquele local.

Desde a largada me preocupei em controlar a minha frequencia cardíaca. Após passar pela placa que sinaliza a marca dos 4 km passei a aumentar o ritmo das minhas passadas, pois sabia que a partir dali teria um longo trecho de descida.

Segui em um ritmo tranquilo. Não acelerei muito pois não tinha ninguém que pudesse ultrapassar antes da linha de chegada e atrás de mim não tinha alguém que pudesse me ultrapassar.

Foi então que ouvi o locutor gritar “Ayrton, Ayrton, Ayrton Senna do Brasil”. Corro usando o boné com as cores do capacete do Senna e cruzar a linha de chegada ouvindo o nome do meu ídolo sem dúvida foi o momento mais emocionante da minha corrida.

 

 

#TBT JUNHO 2019

02/06 – 2ª ETAPA SMELJ

O início de junho foi marcado pela segunda etapa do Circuito de Corridas da Prefeitura de Curitiba promovido pela SMELJ Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude.

O céu estava cinzento e a principal preocupação dos corredores era a chuva. Felizmente ela deu uma trégua. Larguei com tranquilidade e fui me preparando para as subidas que teria que enfrentar mais adiante.

Passei pela placa dos 5 KM com o tempo de 37:36 e sabia que dali pra frente o percurso seria mais difícil. Não tinha preocupação com o tempo que terminaria a prova e reduzi bastante o ritmo nas subidas.

Ao longo dos 10 KM encontrei várias pessoas conhecidas com quem compartilhei a minha energia. Quando entrei no último quilômetro comecei a acelerar o meu ritmo.

Passei a linha de chegada com o tempo de 1:23:35″. Fiquei muito satisfeito com o resultado alcançado diante das dificuldades enfrentadas no percurso.

 

09/06 – INCLUSIVE CORRENDO

Esta corrida foi um pouco diferente daquelas que estou acostumado a participar. Organizada pela Thomé e Santos a corrida tinha por finalidade incluir as pessoas com necessidades especiais no mundo da corrida de rua.

Como doei sangue no sábado sabia que não teria condições de forçar o meu ritmo ao longo do percurso de cinco quilômetros. No caminho passei por corredores deficientes visuais e cadeirantes, aproveitei para transmitir para eles a minha energia positiva.

Cruzei a linha de chegada com o tempo de 37:56 e fiquei muito satisfeito com o resultado.

 

16/06 – 15 KM de Santa Felicidade

Também conhecida pelo nome de 15 KM DE SANTA esta corrida tem como principal característica o seu percurso desafiador com muitas subidas.

Participei em 2018 e completei em 02 h 09 min. Portanto o meu desafio era baixar este tempo. Desde a largada fui controlando o meu ritmo para enfrentar as subidas mais adiante.

No entanto perto do km 5 encontrei duas corredoras que estavam em um ritmo mais lento que o meu. Naquele momento decidi mudar completamente a minha estratégia de corrida.

Abandonei a ideia de correr pelo recorde pessoal. Dali em diante acompanharia aquelas duas jovens corredoras até o final.

Seguimos alternando a caminhada com a corrida, conversando e compartilhando a nossa energia. Por volta do km 8 uma delas seguiu adiante pois estava melhor fisicamente. Eu segui acompanhando a outra corredora.

Terminei com o tempo de 02 h 17 min. Não bati o meu recorde mas me senti extremamente contente por ter compartilhado a minha energia positiva.

 

Jolie fala sobre os refugiados em entrevista para a Vogue

Em uma entrevista exclusiva concedida para a revista britânica, Vogue, a cineasta estadunidense e ganhadora do Oscar se recorda das duas últimas décadas que vem trabalhando com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR/UNHCR) e discute sobre sua jornada com relação a adoção de seus três filhos, Maddox, Pax e Zahara.

Escrito por Liam Freeman e traduzido pelo Angelina Jolie Brasil.

No que diz respeito à atuação e ao cinema, Angelina Jolie teve uma carreira bastante invejável durante seus 45 anos de idade. Nascida na realeza de Hollywood, sendo filha de Jon Voight e de Marcheline Bertrand, já falecida, ela estudou no prestigiado “Lee Strasberg Theatre and Film Institute” antes de estrelar em filmes como “Garota, Interrompida” (1999) – através do qual ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2000 – e “A Troca” de Clint Eastwood (2008).

Posteriormente, ela fez sua estréia na direção no ano de 2011, com o longa “Na Terra de Amor e Ódio”, que aborda a Guerra da Bósnia, para o qual ela procurou apenas os colaboradores mais experientes – atores de elenco nascidos na região dos Bálcãs, que ela consultou sobre a produção e o diálogo. Mas talvez seja seu trabalho humanitário com os refugiados que tenha lhe ensinado suas maiores lições.

“Eu me sentia como se fosse uma estudante aos pés deles”, disse Jolie à Vogue. “Aprendi mais com os [refugiados] sobre família, resiliência, dignidade e sobrevivência do que posso expressar.” Mãe de seis filhos, ela passou quase duas décadas trabalhando com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, primeiro como Embaixadora da Boa Vontade e, a partir de 2012, como Enviada Especial, por sua dedicação à causa.

A primeira missão de Jolie foi em Serra Leoa, na África, nos anos finais da guerra civil que se estendeu de 1991 a 2002. Desde então, ela viajou para países como o Líbano, para conhecer crianças refugiadas sírias, o Curdistão, para destacar as necessidades mais críticas de 3,3 milhões de iraquianos que se encontravam deslocados internamente. Tailândia, onde famílias de Myanmar estão abrigadas em campos de refugiados no norte do país e, mais recentemente, na Colômbia, onde mais de 4 milhões de venezuelanos vivem no exílio.

Então, o que o papel da Enviada Especial do ACNUR implica? Além de chamar a atenção necessária para as grandes crises que resultam em deslocamentos populacionais em massa, Jolie representa a Agência e o Comissário em nível diplomático.

“Meu trabalho, agora, consiste em lutar ao lado dos meus colegas para que os refugiados tenham direitos, proteção e para que resistam aos retornos forçados. Nós também fazemos pressão para conseguirmos melhores oportunidades de aprendizado. O ACNUR é uma agência de proteção. Ajudamos aqueles que fugiram da guerra e da perseguição, que tiveram seus direitos violados”, explica ela.

Um dia antes do Dia Mundial dos Refugiados – um dia internacional designado pelas Nações Unidas (ONU) para homenagear os refugiados em todo o mundo, que é comemorado em 20 de junho – conversamos com Jolie sobre seu trabalho com o ACNUR e como isso transformou sua percepção sobre a maternidade.

A razão de ser do ACNUR é salvar vidas, proteger direitos e construir um futuro melhor para os refugiados. O que existe nessas causas que se relacionam com você pessoalmente?

Eu vejo todas as pessoas como iguais. Eu vejo o abuso e o sofrimento e não consigo aguentar. Em todo o mundo, as pessoas fogem de ataques de bombas, estupro, mutilação genital feminina, espancamentos, perseguição, assassinato. Essas pessoas não fogem para melhorar suas vidas. Elas fogem porque não podem sobreviver de outra maneira. O que eu realmente quero é acabar com o aquilo que força as pessoas a saírem de suas terras. Quero ver prevenção quando pudermos, proteção quando for necessário e responsabilidade quando os crimes forem cometidos.

Segundo o ACNUR, o mundo agora tem uma população de quase 80 milhões de pessoas deslocadas à força – a mais alta já registrada. Nos seus anos de trabalho com o ACNUR, você testemunhou este aumento dramático em primeira mão. Quais foram as principais causas?

Vejo falta de vontade em proteger e defender os direitos humanos básicos, vejo falta de diplomacia e responsabilidade. Muitas pessoas lucram com o caos de países que são dependentes e que encontram-se quebrados e isso me deixa doente. Também vemos líderes espalharem o medo visando ganhos políticos, para que o nacionalismo aumente assim como também a raiva pelo próximo. Mas, por outro lado, também vejo uma incrível generosidade com relação aos refugiados em muitos países e uma força extraordinária e resiliência dos próprios refugiados. Este não é um cenário sem esperança. Apenas cinco conflitos representam dois terços de todo o deslocamento transfronteiriço – Síria, Venezuela, Afeganistão, Sudão do Sul e Myanmar. Mudando a dinâmica lá, conseguiremos mudar o cenário do deslocamento global atual.

Antes da pandemia, você esteva trabalhando na Venezuela e em Bangladesh. Você pode nos contar algumas das coisas que testemunhou lá e qual é a situação agora?

Vi pessoas em seu estado mais humano, que sofreram violência e dificuldades inimagináveis e que estão apenas tentando cuidar de suas famílias. Qualquer um de nós faria o mesmo se estivéssemos naquela situação. Como todos nós, eles querem estar seguros, querem ter uma casa e querem ser livres. As realidades para refugiados ou para as pessoas deslocadas são extremamente difíceis. Eles são, frequentemente, vítimas de estupro e de abuso sexual. Eles estão lutando contra os mesmos tipos de doenças que podemos encontrar em qualquer comunidade em tempos de paz, no entanto, eles não tem acesso à assistência médica em que você ou eu poderíamos confiar. Além disso, os refugiados geralmente vivem em tendas em campos extremamente expostos às condições naturais. No mês passado, refugiados em Bangladesh foram atingidos por um ciclone.

Há regiões ou grupos de pessoas com as quais você está especialmente preocupada agora?

Estou realmente preocupada com as pessoas no Iêmen. Elas passaram por cinco anos de um conflito brutal. Elas sofreram ataques aéreos, bombardeios indiscriminados, violência sexual e tortura. Metade dos hospitais foram destruídos. As pessoas estão à beira da fome. E agora elas foram atingidas pelo Covid-19. No entanto, a comunidade internacional forneceu menos da metade dos fundos necessários para manter as operações de ajuda até o final deste ano. Isso significa que, em agosto, o dinheiro acabará e os programas que mantêm as pessoas vivas terão que ser encerrados no meio de uma guerra e uma pandemia. É horrível e indicativo do padrão global: não somos capazes de ajudar a pôr fim às guerras ou de fazer o suficiente para permitir que as pessoas sobrevivam. O ACNUR permanecerá e entregará o que puder, mas será muito difícil esticar os fundos de ajuda para atender às necessidades sem recebermos nenhuma ajuda.

Como a pandemia afetou os refugiados, direta ou indiretamente?

Infelizmente, estamos apenas no início do impacto econômico e social da crise e isso afetará as pessoas deslocadas, uma vez que os níveis de financiamento humanitário já eram tão baixos. É realmente assustador. É um momento de solidariedade e de entender que os refugiados estão na linha de frente na luta pela sobrevivência e pelos direitos humanos.

Você tem uma sensação de dicotomia entre a vida em Hollywood e o trabalho de campo com o ACNUR ou com a Fundação Maddox Jolie-Pitt (MJP) no Camboja?

Muitos colegas do ACNUR, mas principalmente os próprios refugiados, foram meus mentores. Lembro-me de uma das minhas primeiras missões de campo, na Serra Leoa, quando, em certo momento, depois de ouvir as histórias das pessoas, comecei a chorar. Havia uma avó incrível lá, cuidando de seus netos órfãos, que me levantou e me disse para que eu não chorasse, mas que eu ajudasse. Isso sempre ficou comigo. Minha vida como artista é sobre comunicação e arte. Às vezes, o foco é mais no entretenimento, mas, mais recentemente, meu trabalho como diretora tem sido muito mais sobre as questões globais em que eu me concentro. “Primeiro Mataram Meu Pai” é um filme que une esses mundos. Mas, no fundo, o filme retrata a história dos anos mais difíceis no país em que meu filho nasceu. Então, a maternidade também influencia meu trabalho. E não, não vejo uma divisão.

Você construiu uma casa no Camboja. Por que você sente esta forte afinidade com o país?

O Camboja foi o país que me conscientizou sobre os refugiados. Isso me fez participar de assuntos estrangeiros de uma maneira que nunca tinha feito e me juntar ao ACNUR. Acima de tudo, isso me fez ser mãe. Em 2001, eu estava participando de uma atividade em uma escola de Samlout, brincando com blocos no chão junto com uma criança e isso ficou tão claro para mim quanto a luz do dia. Naquele momento eu pensei: ‘Meu filho está aqui’. Alguns meses depois, conheci o bebê Mad em um orfanato. Não sei explicar e não acredito em mensagens ou superstições. Mas foi muito real e claro. Samlout foi a primeira e a última fortaleza do Khmer Vermelho. Foi para onde fui pela primeira vez com o ACNUR, porque fica perto da fronteira com a Tailândia, onde as pessoas estavam lutando para voltar. Estava cheio de minas terrestres. Eu escolhi investir e morar lá para tentar ajudar a melhorar uma das áreas mais desafiadoras do país. Encontramos 48 minas terrestres em minha propriedade. Minha casa fica em um complexo que eu compartilho com a sede da minha fundação. É 100% executado localmente, como deveria ser, e trabalho com uma grande equipe de pessoas.

Você tem três filhos adotivos, Maddox, Pax e Zahara, e três filhos biológicos, Shiloh, Vivienne e Knox. Quais são as coisas mais importantes a considerar ao criar irmãos adotivos e biológicos?

Esta é uma maneira bonita de formar uma família. O importante é falar com liberdade sobre tudo isso e compartilhar. “Adoção” e “orfanato” são palavras positivas em nossa casa. Com meus filhos adotivos, não posso falar sobre gravidez, mas falo com muitos detalhes e com muito amor sobre minha jornada em encontrá-los e como foi olhar nos olhos deles pela primeira vez. Todas as crianças adotadas vêm com um belo mistério de um mundo que está se encontrando com o seu. Quando eles são de outra raça e de terra estrangeira, esse mistério, esse presente, é muito grande. Para eles, nunca devem perder o contato com o lugar de onde vieram. Eles têm raízes que você não tem. Honre-os. Aprenda com eles. É a jornada mais incrível de se compartilhar. Eles não estão entrando no seu mundo, vocês estão entrando no mundo um do outro.

Você adotou Maddox do Camboja e seu filho Pax, do Vietnã – dois países em guerra um com o outro. Esta foi uma decisão consciente?

Isso é uma verdade, eu pensei sobre isso. Originalmente, pensei em não adotar no Vietnã porque Mad era cambojano e os dois países têm uma história complexa. Então eu estava lendo um livro sobre direitos humanos e me vi olhando para a imagem de um combatente vietnamita mantido em cativeiro por americanos. Pensei em meu próprio país e em nosso envolvimento no sudeste da Ásia. Pensei em focar num futuro em que fossemos todos da mesma família. Sou muito abençoada por ter sido autorizada a ser mãe deles. Sou grata por isso todos os dias.

Depois de escolher se separar de seu parceiro e do pai de seus filhos, o ator Brad Pitt, como você sustentou um ambiente saudável para seus filhos?

Separei para o bem-estar da minha família. Essa foi a decisão certa. Eu continuo focada no processo de cura deles. Muitas pessoas se aproveitaram do meu silêncio e meus filhos veem muitas mentiras sobre eles na mídia, mas eu os lembro de que eles conhecem suas próprias verdades e suas próprias mentes. Na verdade, são seis jovens muito corajosos e muito fortes.

Você pode discutir alguns dos projetos nos quais trabalhará nos próximos meses?

Trabalharei com o ACNUR nesta crise global, mantendo-me conectada e conscientizando as realidades de campo. E continuarei trabalhando com a “BBC World Service”, em uma iniciativa de alfabetização midiática para jovens. Também estou colaborando com a Anistia Internacional em um projeto de livro sobre os direitos das crianças. Entrei no confinamento da quarentena pensando que seria um bom momento para aprender a cozinhar. Mas isso nunca aconteceu. Eu conheço meus limites.

Fonte: Vogue

Jolie faz videoconferência e escreve sobre os refugiados

Nesta quinta-feira, dia 18 de Junho de 2020, o site oficial da renomada revista “TIME” publicou um novo artigo escrito pela Enviada Especial do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (UNHCR/ACNUR), Angelina Jolie, através do qual ela abordou a atual crise de refugiados. Além do artigo, Jolie participou de várias conversas de vídeos com diferentes profissionais que trabalham com a UNHCR. Confira a matéria traduzida na íntegra pelo Angelina Jolie Brasil. Agradecimentos especiais ao nosso colaborador, Gui Leite.

Escrito por Angelina Jolie

Enquanto a injustiça causada pela discriminação e pelo racismo nos Estados Unidos explodem na linha da frente, nós também devemos abordar a perseguição e a opressão que aumentam ao redor do mundo, privando milhões de pessoas de seus direitos, liberdade e segurança física.

A Agência para Refugiados da ONU publicou seu último relatório anual sobre o estado dos deslocamentos humanos no mundo e podemos fazer uma leitura bastante clara. Quase 80 milhões de pessoas – o número mais alto desde que os registros começaram, de acordo com os dados disponíveis – foram expulsas de suas casas por extrema perseguição e violência, e passaram a viver como refugiados, como pessoas que precisam de abrigo ou como pessoas deslocadas dentro de seus próprios países. Pela primeira vez, o deslocamento forçado está afetando mais de um por cento da humanidade, ou seja, 1 em cada 97 pessoas.

São pessoas que fogem de ataques a escolas e hospitais, da violência sexual em massa, perseguições e fome em cidades inteiras, opressões de grupos terroristas assassinos e décadas de perseguição institucionalizada em razão da religião, do gênero ou da sexualidade.

Não é apenas o número total de pessoas deslocadas à força que é chocante. Mais pessoas estão sendo forçadas a deixar suas casas em larga escala em mais lugares e com uma das taxas mais rápidas das quais podemos nos lembrar. O deslocamento global quase dobrou desde 2010. O número de refugiados na África Subsaariana triplicou no mesmo período. E o número de países em que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados está trabalhando, buscando ajudar as pessoas deslocadas internamente, passou de 15 em 2005 para 33 em 2020. Isso ocorre antes da devastação econômica total das greves do COVID-19, ameaçando a fome e a insegurança mais profundas para milhões de pessoas.

Eu testemunhei a mudança com meus próprios olhos. Meus primeiros 10 anos no UNHCR, a partir de 2000, foram focados principalmente em ajudar os refugiados a voltar para suas casas em países como Camboja, Bósnia e Serra Leoa. Envolveu a limpeza de minas terrestres, a reconstrução de casas, a abertura de estradas e a retomada do mercado. As instituições internacionais – ainda que imperfeitas – apresentaram uma pequena quantidade de justiça e responsabilidade.

Em meados da década de 1990, até por volta de 2010, o número de pessoas deslocadas permaneceu relativamente estável em todo o mundo, porque, embora os novos deslocamentos continuassem, muitos refugiados foram repatriados após acordos de paz, construíram casas permanentes em seus países anfitriões ou foram reassentados em novos países.

Mas nos últimos 10 anos, a pouca justiça e as poucas soluções disponíveis para os refugiados secou. Eu visitei refugiados sírios cerca de uma dúzia de vezes desde o início do conflito naquela região. Os refugiados que conheci quando crianças agora têm seus próprios filhos e ainda vivem nos mesmos acampamentos sem segurança, com provisões cada vez menores e sem perspectivas de um acordo político justo e equitativo em seu país que lhes permita voltar para casa em segurança.

Vários fatores parecem estar em jogo. A década passada começou com uma recessão global que alimentou dificuldades, raiva e descontentamento. Muitos países e comunidades em todo o mundo mostraram extraordinária generosidade para os refugiados que vivem em seu meio. Mas, mesmo que, em todo o mundo, médicos, enfermeiros e profissionais de saúde estejam à linha de frente da resposta ao COVID-19, os refugiados são frequentemente vistos como um fardo, recebidos com xenofobia e racismo, denegridos e desumanizados na política e na mídia.

Vários fatores parecem estar em jogo. A década passada começou com uma recessão global que alimentou dificuldades, raiva e descontentamento. Muitos países e comunidades em todo o mundo mostraram extraordinária generosidade para os refugiados que vivem em seu meio. Mas, mesmo que, em todo o mundo, médicos refugiados, enfermeiros e profissionais de saúde atendam à linha de frente da resposta ao COVID-19 , os refugiados são frequentemente vistos como um fardo, recebidos com xenofobia e racismo e denegridos e desumanizados na política e na mídia.

Somos rápidos em criticar os registros de direitos humanos dos adversários, mas silenciosos quando conflitos que criam deslocamento e miséria envolvem nossos aliados. Quando começamos a escolher quais países ou povos iremos ajudar, da assistência humanitária até nossas políticas de asilo, somos nós mesmos os discriminadores: atribuindo diferentes níveis de importância a diferentes povos, raças, religiões e etnias, violando o princípio fundamental de que todos nascem iguais.

Em nossos anos escolares, nós americanos não somos ensinados o suficiente a respeitar e admirar as culturas e contribuições de países com histórias muito mais antigas do que as nossas. Ou, na verdade, a ter uma compreensão verdadeiramente profunda de nossa própria história e das condições s em que nosso país foi construído. Essa é uma das razões pelas quais, nos meus vinte e poucos anos, eu queria trabalhar com o ACNUR.

O que ficou claro para mim, através do meu trabalho, é que a luta pelos direitos humanos e pela igualdade é universal. É uma luta única, onde quer que vivamos, por mais diferentes que sejam as circunstâncias. Existe uma linha divisória em todo o mundo, entre aqueles que têm direitos e liberdade e aqueles que não têm. Quem escolhemos ajudar e o quanto estamos preparados e dispostos para mudar e lutar, não deve parar em nossas fronteiras.

Fonte: TIME

Fonte: Angelina Jolie Brasil