Uma das corridas mais marcantes da carreira de Ayrton Senna está completando trinta anos. Vencer no Brasil diante da sua torcida era o grande sonho dele. A sua melhor colocação foi um segundo lugar em 1986 quando o GP do Brasil foi disputado em Jacarepaguá.

Nos treinos de sábado Senna foi o mais rápido e marcou a pole position com o tempo de 1:16.392. Ao seu lado na primeira fila ele teria o italiano Riccardo Patrese da Williams. Na segunda fila, o inglês Nigel Mansel da Williams e austríaco Gerhard Berger da McLaren.

A corrida começou com Senna na liderança e Mansell em segundo, que ultrapassou Patrese logo após a largada. Senna e Mansell ditavam o ritmo da prova abrindo vantagem com relação aos seus adversários. Mas a diferença entre eles não conseguia ir além de 3 segundos.

Na volta 25, o inglês parou nos boxes, mas a Williams se enrola e gasta 14,59 segundos. Na volta seguinte foi a a vez de Senna parar e levar 6,93 segundos, voltando ainda na liderança. Alesi, Patrese e Berger pararam e Mansell voltou a segunda posição, mas a oito segundos do brasileiro.

Mansell seguiu na caça a Senna, mas o pneu traseiro direito furou e ele teve que ir ao box novamente. Faz uma parada razoável (9,63 segundos) e voltou e segundo, mas a mais de 30 segundos de Senna.

A Mclaren começou a apresentar problemas no câmbio. A quarta marcha começou a saltar e Senna consegui segurar no braço. Mas com pneus novos Mansell conseguiu tirar dez segundos em sete voltas.

Na volta 59 o inglês tem o câmbio travado e roda. Ao tentar voltar para a pista quebra a embreagem e o sistema. Encosta na grama na entrada da Curva do Sol. Patrese assumia a segunda posição, mas a mais de quarenta segundos atrás de Senna.

O câmbio começou a dar mais problemas  e faltando dez voltas, as marchas começam a falhar. Nenhuma marcha entrava e, a única que entrava era a 6ª.

A diferença de Senna para Patrese diminuía cerca de três segundos por volta. Com os pneus desgastados Senna tinha que fazer um grande esforço físico para poder manter o carro na pista, fazendo o motor ficar em um giro mais alto e não perder tanto nas curvas de baixa.

Na volta 67, Senna conseguiu melhorar seu tempo para 1 min 25 seg e conseguiu segurar um pouco a diferença. Mas o italiano estava andando em 1 min 21 seg. Mais uma vez, a vitória de Senna era algo que seria improvável, pois a Williams reduzia a diferença.

Na volta 69 a chuva apertou e a diferença caiu para 4,1 segundos. Na volta 70, o cenário se repetiu. Senna quase passou reto no “S” com seu nome e em um esforço, apontou para o público da Reta Oposta, como se dissesse : Agora vai!

O final foi dramático. Após cruzar a linha final, Senna permaneceu no carro, sem forças para sair. Quando parou o carro na reta oposta para receber a bandeira do Brasil, o carro não saiu do lugar, mostrando que de fato o carro estava apenas com uma marcha.

Ele ficou cerca de vinte minutos se recuperando para sair do carro. A dificuldade de movimento era impressionante. Tanto que levantar o troféu da primeira posição foi algo sobrenatural.

Em analises posteriores na fábrica, a McLaren confirmou que o câmbio estava em condições lastimáveis.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

30 anos da primeira vitória no Brasil

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